O Brasil perdeu um dos maiores conhecedores da Consolidação das Leis do Trabalho(CLT). A afirmação é do Presidente do SENALBA/RS, Antônio Johann, ao saber da morte do jurista Arnaldo Süssekind. Ele faleceu na madrugada desta segunda-feira, no Rio de Janeiro, vítima de parada cardiorrespiratória. Ele era o único remanescente da comissão encarregada da elaboração da Consolidação das Leis do Trabalho. Süssekind completaria nesta segunda-feira 95 anos de idade. Nos últimos dias de vida, trabalhou incansavelmente, atuando como consultor jurídico da Vale e como conselheiro da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.
Johann salientou que a contribuição de Süssekind foi decisiva neste último século para a construção doutrinária e legislativa do direito trabalhista, bem como, sua aplicação pela justiça. “Era um intelectual extremamente equilibrado, com uma visão atualizada do mundo e das relações do trabalho”. O Presidente do SENALBA/RS afirmou que construiu esse conceito a partir de muitas palestras e conferências que ouviu do jurista. “Ele sabia a gênese e o fundamento de cada um dos artigos da CLT”.
Süssekind foi ministro do Trabalho e Previdência Social no governo Castello Branco, procurador-geral da Justiça do Trabalho e ministro do Tribunal Superior do Trabalho. Patrono dos advogados trabalhistas, ele integrou a Comissão de Peritos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e fez parte da Academia Brasileira de Letras Jurídicas, da Academia Ibero-americana de Direito do Trabalho e da Seguridade Social, além de presidir conselhos editoriais de importantes periódicos brasileiros.
O jurista defendeu, enquanto esteve à frente do Ministério do Trabalho, na década de 70, o instituto da estabilidade no emprego e se opôs à extinção do décimo-terceiro salário, que chegou a ser proposta como projeto no Congresso Nacional.