Dirigentes do SENALBA/RS participaram, nesta segunda-feira, de manifestação contra o processo de desindustrialização no país. A atividade reuniu mais de dois mil trabalhadores, sindicalistas e dirigentes empresariais. A Diretoria do sindicato foi representada pelo Diretor de Patrimônio, Rômulo José Gobbato, e pelo Diretor de Divulgação, Ricardo Romera. O movimento que integra trabalhadores e empresários faz uma defesa da indústria e do emprego.
Conforme o Presidente Nacional da Força Sindical, Paulinho Pereira o movimento fez a primeira atividade aqui na Capital gaúcha e seguirá com mobilizações nas principais capitais do país. A reivindicação é pela defesa da indústria com menor carga tributária e contra o avanço dos produtos estrangeiros que chegam ao país com preços aviltados, promovendo uma concorrência desleal com a produção nacional. Uma das consequências imediatas é a perda de competitividade, redução do uso da capacidade industrial instalada e fechamento de postos de trabalho. Conforme o Presidente da Força Sindical, de cada quatro produtos consumidos no país, um é importado. Só no ano passado a indústria deixou de abrir 500 mil novos empregos, por conta da entrada indiscriminada de produtos estrangeiros. “Estamos nos tornando um canteiro da China e, por isso, precisamos realizar uma discussão e uma negociação com o Governo para estudar as medidas adequadas a serem adotadas”.
Já o Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas-ABIMAQ, Luiz Albert Neto, disse que o setor atuava muito na exportação, mas esse quadro está se alterando fortemente. Somente nos dois primeiros meses do ano o Brasil importou R$ 6 bilhões em máquinas, que poderiam ser produzidas aqui. No entanto, a importação desses produtos custa mais barato do que produzi-los aqui. “Viemos aqui para dizer ao Governo do Estado que não desejamos medidas de protecionais, mas condições iguais às empresas estrangeiras para concorrer em situação de igualdade”. Em 1998, a indústria de máquinas exportava 35% da produção. Hoje, as vendas externas não chegam a 20%. Ele disse que é impossível pensar num país rico e desenvolvido sem um setor de transformação forte e competitivo. Albert disse que é impossível pensar em produzir com tecnologia, com geração de empregos e com eficiência, com altas taxas de juros, elevada carga tributária e com uma política de câmbio valorizado que conspira contra a exportação do produto brasileiro.
No final da tarde, lideranças do movimento foram recebidas no Palácio Piratini pelo Governador Tarso Genro. Eles entregaram um manifesto com as ideias e propostas do movimento. O Governador disse que é favorável a adoção de medidas para evitar a concorrência desleal, para que a indústria não sofra uma concorrência predatória.
Elton Bozzeto – Rp. 10.417