
Presidente do Senalba
Os sindicatos de todo o mundo estão preocupados com a crise econômica internacional e falta de adoção de medidas para o desenvolvimento sustentável e o trabalho decente. O assunto foi debatido nos dias 22 e 23 de julho, em Praia Grande/SP, durante a 5ª Conferência Internacional da Força Sindical. O evento reuniu lideranças sindicais de mais de 50 países de quatro continentes. O Presidente do SENALBA/RS, Antônio Johann, participou dos debates. Ele afirmou que “é muito importante ouvirmos as tendências do movimento sindical do mundo, com a presença de grandes autoridades, para orientar nossas ações no Brasil”.
Johann destacou que outra questão inquietante é o alto índice de desemprego na Europa. O continente sempre foi um termômetro de estabilidade para os trabalhadores do mundo. No entanto, a situação a Espanha, por exemplo, deixa dúvidas sobre o futuro do mercado de emprego, uma vez que mais de 26% da população economicamente ativa estão desempregados.
Outro tema importante trazido ao Brasil por especialistas é o contexto do mercado informal, que em alguns países chega aos níveis de 50% de ocupação de trabalhadores. O maior problema, segundo Johann, está no fato de que os sindicatos só conversam com quem tem contrato formal de trabalho. Ele explica que medidas ainda incipientes e pontuais para solucionar esse problema estão sendo adotadas. “O DIEESE tem uma iniciativa pioneira em Santa Catarina de formalizar o trabalho informal, na produção de cebola. Em Itapiranga, medidas foram adotadas para recolher as contribuições sociais dos trabalhadores safristas e dar seguridade para todo ao ano”.
Um dos temas recorrentes nos debates foi o baixo nível de sindicalização em todo o planeta. “É uma preocupação central do movimento sindical no mundo. A associação sindical fica na faixa de 5 a 7% dos trabalhadores contratados”, disse Johann. Ele defende que os sindicatos partam da constatação para a adoção de medidas de conscientização dos trabalhadores para a importância da associação sindical.
O Secretário de Relações Sindicais da Força Sindical, Nilton Neco, ressaltou que o consenso entre os participantes é a necessidade de uma ação solidária entre os trabalhadores em todo o mundo. “A expressiva participação de dirigentes da África, América, Ásia e Europa só reforçou que a unidade do movimento sindical é fundamental para enfrentar os desafios e ampliar as conquistas trabalhistas”.
CONGRESSO – A conferência antecipou o 7º Congresso Nacional da Força Sindical, aberto nesta quarta-feira, com a participação de mais de 3,5 mil lideranças sindicais de todo o país. Durante evento, serão discutidas as estratégias de ação da força sindical e será realizada a eleição para a direção nacional da entidade.

Parte da delegação gaúcha presente no Congresso da Força Sindical
Evento reúne lideranças de todo o país