Nível de desemprego preocupa trabalhadores europeus

Andrée

A divulgação de pesquisas no início desta semana apontam que o número de desempregados nos 17 países da zona do euro teve ligeira queda para 19,27 milhões, no mês de junho, contra 19,29 milhões em maio. A redução não foi suficiente para mudar a taxa de desemprego total da zona do euro, que se manteve em 12,1% – a mais alta já registrada – pelo quarto mês consecutivo, segundo o Eurostat, agência de estatísticas oficial da União Europeia. A mesma pesquisa indicou que 10,9% da força de trabalho nos 28 países que formam a União Européia. Essas taxas apontam que não houve estancamento do problema que afetou a economia europeia no final da década passada.
A situação preocupante para os trabalhadores da Europa persiste e tem outros fatores agravantes. A Secretária da Confederação de Trabalhadores da França, Andrée Thomas, disse que dos 28 países da Comunidade Econômica Europeia, em apenas sete, os empregados têm um salário mínimo assegurado. “Em toda a Europa é impossível estabelecer um salário mínimo em razão das diferenças econômicas entre as nações. Pior: a lei econômica é definida pelo bloco econômico, mas a lei do salário é de cada país”. Segundo Andrée esse é um problema econômico, político e de falta de solidariedade entre as nações da União Européia. Andrée avalia que essa é uma grande dificuldade para os trabalhadores porque a política salarial fica dependente da situação econômica. Ela acrescentou que a crise monetária de 2008 ampliou as dificuldades de legislação e unificação da luta pelos direitos sociais dos trabalhadores. “Para agravar a situação mais de 78 milhões de postos de trabalho foram fechados nos últimos anos”. Ela qualifica o quadro de catastrófico, principalmente para a juventude da Espanha, Portugal e Irlanda. Nesses países, 60 % dos jovens estão desempregados. Mas, este é problema de toda a Europa.
Este contexto está levando muitos jovens a deixarem a Europa em busca de ocupação em outros países, provocando e projetando um grande problema para o desenvolvimento futuro da Europa. Uma das dificuldades que contribui para esse quadro é que a política investimento em projetos industriais e de desenvolvimento não contempla a contenção do desemprego. “Ao mesmo tempo, vivemos um dumping social com o ingresso de trabalhadores do leste e de outros países, que não tem proteção de seus direitos”. Andrée foi entrevistada há poucos dias pela assessoria de imprensa do SENALBA/RS, quando participava do 7º Congresso Nacional da Força Sindical, em Praia Grande/RS.