A taxa de crescimento de sindicalização não acompanhou o crescimento das economias da América Latina nos últimos anos. A informação é do Presidente da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas e membro da Confederação Geral dos Trabalhadores da Colômbia(CGT), Julio Roberto Gomez. Ele também é titular do Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho(OIT). Gomez visitou a Capital gaúcha nesta semana e encontrou-se com o Presidente do SENALBA/RS, Antônio Johann.
No diálogo entre os dois líderes sindicais, Gomez salientou que Brasil, Argentina e Uruguai ainda são exceções a este quadro. “Nos Estados Unidos e no Canadá também decresce a taxa de sindicalização, proporcionalmente ao crescimento das taxas de ocupação ”. Na avaliação do sindicalista, falta conhecimento dos trabalhadores sobre a importância e significado da organização sindical na defesa de seus direitos. Ele revelou que a Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas está desenvolvendo campanhas de conscientização em vários países, para estimular a associação sindical e defender a liberdade sindical e o direito à negociação coletiva. O dirigente desafiou os próprios sindicatos a realizarem iniciativas de comunicação e aproximação com os trabalhadores representados para ampliar os níveis de sindicalização.
Gomez lamenta que os próprios governos ainda desrespeitem o direito de livre associação dos trabalhadores, tentando intervir e manipular as organizações sindicais. “Uma democracia sem sindicatos livres e autênticos é uma caricatura democrática”. O dirigente salienta que em algumas nações do continente o sindicalismo cresce, mas não há negociação coletiva, num flagrante desrespeito à autonomia da organização sindical. “Liberdade sindical e negociação coletiva são duas irmãs que precisam caminhar juntas”, resumiu.